27 September 2012

OS PRIMEIROS CRISTÃOS - THE EARLY CHRISTIANS - 1ª PARTE

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Declarou Jesus a seus discípulos: "Nenhum pode servir a dois senhores". No entanto, através dos séculos, apareceram muitos Cristãos que trataram de mostrar que Jesus estava equivocado. Disseram-nos que na verdade podemos ter as coisas de dois mundos, as deste mundo e as do mundo de Deus.

Muitos de nós levamos a vida muito pouco diferente das pessoas incrédulas, com valores conservadores, exceto que assistimos aos cultos da Igreja a cada semana. Vemos os mesmos programas de televisão e compartilhamos as mesmas preocupações a respeito dos problemas do mundo. Com frequência estamos enredados nos negócios e na busca das "riquezas" como os nossos vizinhos incrédulos. Assim é que muitas vezes o nosso "não ser deste mundo" existe mais na teoria do que na prática.

Mas os primeiros Cristãos eram muito diferentes de nós, e se governavam por fundamentos e valores muito diferentes dos seus vizinhos. Recusaram as diversões do mundo, sua honra e suas riquezas. Já pertenciam a outro Reino, e escutavam a voz de outro Senhor. Isto, vemos na Igreja do segundo século tanto como na do primeiro século.

A obra de um autor desconhecido, escrita ao redor do ano 130 d.C., descreve os primeiros Cristãos aos romanos da seguinte maneira: "Vivem em seus diferentes países, mas sempre como peregrinos. Estão na carne, mas não vivem segundo a carne. Passam seus dias no mundo, mas são cidadãos do céu. Obedecem as leis civis, mas ao mesmo tempo suas vidas superam a essas leis. Eles amam a todos os homens, mas são perseguidos por todos. São desconhecidos e condenados. São levados à morte, mas serão restaurados à vida. São pobres, mas enriquecem a muitos. Possuem pouco, mas abundam em tudo. São desonrados, mas em sua desonra são glorificados".

Para que não pensemos que os Cristãos descreviam uma vida que em realidade não levavam, temos o depoimento dos mesmos romanos desta época. Um inimigo pagão dos primeiros Cristãos escreveu: "Menosprezam os templos como se fossem casas dos mortos. Recusam aos deuses. Riem-se de coisas sagradas da idolatria. Ainda que pobres eles mesmos, sentem compaixão de nossos sacerdotes. Ainda que meio nus, desprezam a honra e as túnicas de púrpura. Que descaro e tolice incrível! Não temem as tormentas presentes, mas temem as que virão no futuro. E ainda que não temam morrer agora, temem uma morte depois da morte".

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Para os primeiros Cristãos, ter Fé em Deus significava bem mais do que dar um depoimento comovente do "momento em que entreguei a minha Fé ao Senhor". Significava que acreditavam que Deus era digno de confiança, ainda que acreditar nele os envolveria em grande sofrimento. "Uma pessoa que não faz o que Deus ordenou, revela que realmente não tem Fé em Deus", declarou Clemente.

Para os primeiros Cristãos, dizer que se confiava em Deus e recusar-se a obedecer-Lhe era uma contradição. O Cristianismo dele seria nada mais do que meras palavras. Um Cristão do segundo século o expressou assim: "Não dizemos grandes coisas, as vivemos".

Um sinal distinto dos primeiros Cristãos era a sua Fé, como a de menino, e a sua obediência literal aos ensinamentos de Jesus e dos apóstolos. Eles não acreditavam que tinham que entender a razão de um mandamento para obedecê-lo. Singelamente confiavam que o caminho marcado por Deus era o melhor caminho.

Clemente perguntou: "Quem terá tanto descaro para não crer em Deus, e demandar de Deus uma explicação, como se ele fosse homem?" O exemplo maior da Fé dos primeiros Cristãos vemos na boa acolhida que deram à perseguição. Desde o tempo do imperador Trajano, por volta do ano 100 d.C., até o edito de Milão proclamado em 313 d.C., ser Cristão era ilegal dentro do império romano, era delito que se castigava com a morte. Mas os oficiais romanos normalmente não procuravam os Cristãos, os ignoravam, a não ser que alguém os acusasse perante a lei.

Por isso, às vezes os primeiros Cristãos sofriam a perseguição, às vezes não. Ou os Cristãos numa cidade sofriam torturas desumanas e até a morte, enquanto em outra cidade viviam calmos. Assim, nenhum Cristão vivia seguro. Viviam com a sentença de morte pairando sobre suas cabeças.

Os primeiros Cristãos estavam dispostos a sofrer horrores indizíveis, e até morrer antes de negar a Deus. Isto, em união com a sua vida exemplar, servia de ferramenta eficaz na evangelização. Poucos romanos estavam dispostos a dar sua vida por seus deuses. Quando os primeiros Cristãos morriam por sua Fé em Deus, davam depoimento do valor dela.

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Em verdade, a palavra grega para "testemunha" é mártir. Não é de se estranhar que esta mesma palavra é também a que os gregos usavam para "mártir". Em várias citações da Bíblia onde nós lemos "ser testemunhas", os primeiros Cristãos entendiam que se falava de "serem mártires".

Ainda que muitos Cristãos tratassem de fugir da perseguição local, não tentaram sair do império romano. Como meninos, acreditavam que seu Mestre falava a verdade quando disse que a Sua Igreja se edificaria sobre uma rocha, e as portas do Hades não prevaleceriam contra ela. Bem sabiam que milhares deles poderiam encontrar-se com mortes terrivelmente injustas.

Poderiam padecer torturas terríveis, e poderiam terminar nas prisões. Mas estavam plenamente convencidos de que seu Pai não permitiria que a Igreja fosse aniquilada. Os primeiros Cristãos apareceram ante os juízes romanos com as mãos indefesas, proclamando que não usariam meios humanos para tratar de preservar a Igreja.

Confiavam em Deus, e só em Deus, como seu Protetor. Os primeiros Cristãos acreditavam no que Orígenes disse aos romanos: "Quando Deus permite que o tentador nos persiga, padecemos perseguição. E quando Deus deseja livrar-nos da perseguição, desfrutamos de uma paz maravilhosa, ainda que nos rodeie um mundo que não deixa de odiar-nos. Confiamos na proteção Daquele que disse. Confiai, eu venci o mundo". E em verdade Ele venceu o mundo.

Por isso o mundo só prevalece, enquanto permite que prevaleça o que recebeu o poder do Pai, para vencer o mundo. E da Sua vitória tiramos ânimo. Ainda se Ele deseja que soframos por nossa Fé e contendamos por ela, com o que traz o inimigo contra nós. Diremos-lhes: "Tudo o posso em Cristo Jesus, Nosso Senhor, que me fortalece".

Quando era jovem, Orígenes tinha perdido o seu pai numa onda de perseguição, e ele mesmo morreria da tortura e encarceramento na mãos dos romanos. Apesar de tudo, com confiança inquebrantável lhes disse: "Com o tempo toda forma de adoração será destruída, exceto a religião de Cristo. Unicamente esta permanecerá. Sim, um dia triunfará, porque Seus ensinamentos estão na mente dos homens, mais e mais a cada dia".

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