16 maio 2013

A RUPTURA DA TEOLOGIA - THEOLOGY'S RUPTURE

RUPTURA-DA-TEOLOGIA

Nos primeiros séculos do Cristianismo considerava-se que a teologia tinha de ser fruto de uma profunda convicção intelectual e, acima de tudo, de intensa experiência pessoal. Após a ruptura da experiência religiosa e do misticismo com a Igreja, seguiu-se o aparecimento do modelo escolástico de Tomás de Aquino. Assim, a teologia sofreu uma grande fragmentação.

A Igreja separou-se da teologia primitiva, seguindo por caminhos diferentes, originando a teologia dogmática e suas convenções, a teologia moral e a teologia ascética.

O resultado disso foi um distanciamento entre o teólogo, especializado no exame do pensamento Cristão, e o indivíduo já espiritualizado que estava tentando viver profundamente os ensinamentos de Jesus Cristo no seu cotidiano.

Por exemplo, o conceito de existência do limbo. O limbo foi a conclusão teológica de Santo Agostinho, que considerava o pecado original um pecado transmitido a cada indivíduo durante a concepção. Por isso, toda a humanidade era uma massa amaldiçoada.

As crianças que morressem sem Batismo não iriam para o Céu devido ao pecado original, mas também não poderiam ir para o inferno. Então, inventou-se o limbo, um estado intermediário que provocou tremenda tristeza aos pais cujos filhos morriam antes do Batismo.

A noção absurda do limbo insinuou-se na mentalidade Católica e nos textos teológicos, passando a ser considerada uma doutrina, quando na verdade era somente uma ideia sem fundamento.

Para Agostinho, até o ato sexual para conceber uma criança era pecaminoso, contrariando a palavra de Deus: "Crescei e multiplicai-vos". Essa visão prevaleceu devido à importância de Agostinho na teologia Católica.

THEOLOGY'S-RUPTURE

Desta forma, devemos pensar na questão da liberdade, pois a liberdade e a responsabilidade caminham juntas. A noção política de liberdade, do velho paradigma clássico, contrasta surpreendentemente com a noção de liberdade nos Evangelhos.


A política permite que se passe por cima dos outros, enquanto o Evangelho diz: "A si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de um servo", e João Batista acrescenta: "Ele deve crescer, enquanto que eu devo diminuir".


Também afirmou Jesus: "Aquele que quiser ser o maior, que se faça o menor". Num universo totalmente inter-relacionado, o crescimento de qualquer um implica no crescimento dos demais, e não ao contrário como o homem sempre fez.


Nós temos a capacidade e a liberdade de formar conceitos, mas não de os escolher e, conforme o modo como utilizamos essa capacidade, somos levados a conflitos pois nossos conceitos não vêm da fonte Divina. Esta só é alcançada na experiência espiritual.


Deus não está lá em cima e o Universo aqui em baixo. Assim, toda resposta às dúvidas que temos sobre Deus tem que ser encontrada na nossa própria experiência, dentro de nós, e não nas palavras de outrem.


A experiência de Deus está além do conhecimento, da imaginação, do raciocínio, do intelecto e do ego, e transcende todos os nossos conceitos, até mesmo o conceito da transcendência e tudo mais que se possa falar a respeito da mesma.


O silêncio e a reflexão é a postura adequada para vivenciarmos esta relação com o Criador. Para a Teologia, mesmo no velho paradigma, a Criação ainda é um processo em andamento, e se não fosse assim toda a existência entraria em colapso.


THEOLOGY'S-RUPTURE

A teologia utiliza modelos e metáforas para se aprofundar em um tema. As metáforas apontam para a verdade final, mas não são a verdade real. Tudo que é dito e pensado a respeito de Deus é por analogia. Há uma diferença infinita entre a realidade Divina e o que pensamos a Seu respeito.


Dizer que Deus criou os seres humanos à Sua imagem, como cita o Evangelho: "macho e fêmea Deus os fez", implica no fato de que a imagem de Deus é um par e não um indivíduo. No entanto, toda a hierarquia Católica consiste de homens. É injusto, na Igreja e na tradição Cristã, manter a mulher numa posição de inferioridade.


Jesus Cristo fez inimigos ao tratar as mulheres em igualdade aos homens, o que não era aceito na sociedade da época, o mesmo preconceito que ainda ocorre hoje em muitas sociedades e culturas.


Em que sentido achamos que somos criados à imagem de Deus se não sabemos como é a imagem de Deus! Se desejamos amar a Deus devemos nos voltar para o humano e para toda a Criação, pois tudo tem o "sopro" Divino. Mas o verdadeiro amor, assim como as verdadeiras virtudes, só alcançamos com a experiência religiosa.


Nas experiências religiosas sentimos que "tocamos" a Divindade, achamos até que o nosso verdadeiro eu é o próprio Deus. Isso é ser criado à imagem e à semelhança de Deus. Isso nos foi dado por Ele através da nossa própria existência, sendo uma realidade que podemos desvendar se nos dirigirmos às profundezas do nosso ser. Nossa vida tem como início e fim a "Vida" em Deus e no Reino de Deus é como terminará.




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