26 September 2012

A IGREJA PRIMITIVA - THE EARLY CHURCH


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Jesus foi acusado pela liderança judaica e a autoridade que o sentenciou à morte foi o governador Pôncio Pilatos, o representante do Império Romano na Judeia. A morte de Jesus não acabou com o Cristianismo, e seus seguidores, considerados como inimigos do Império, passaram a ser perseguidos.

Quando o Livro do Apocalipse foi escrito entre os anos 90 e 100 d.C. o imperador de Roma era Domiciano, que promovia a caça, tortura e morte dos Cristãos. Estes sofriam uma intensa perseguição, que começou em Roma, e depois espalhou-se por todas as províncias do Império.

Ser Cristão era um crime, pois significava prestar honras a Jesus Cristo e não ao Imperador Romano. Quando um Cristão era denunciado e levado diante de um tribunal romano, a única forma de não ser condenado à morte era renegar a sua Fé — a maioria não abandonou a crença em Jesus Cristo como seu Deus e Senhor.

Durante os últimos quarenta anos do século III, de 260 a 300 d.C., a Igreja primitiva desfrutou de um tempo de paz sem precedentes. Houve perseguições locais esporádicas, mas nenhuma em grande escala no Império Romano. Isto parecia uma benção para a Igreja, já exausta e acossada, uma sobrevivente da perseguição violenta desde o tempo da sua fundação.

A consequência da paz ilusória levou a Igreja a abaixar a guarda, e com a perseguição fora de suas mentes, os primeiros Cristãos começaram a contenda entre seus iguais. A teologia, que sempre tinha sido algo secundário na Igreja primitiva passou para a vanguarda, e surgiram violentos debates teológicos através de todo o Império, agora Cristão.

Os primeiros Cristãos perderam a doutrina da separação do mundo e a disciplina começou a relaxar, principalmente em Roma, quando pela primeira vez na História do Cristianismo os primeiros Cristãos assumiram posições no governo romano. No entanto, a Igreja primitiva em 300 d.C. era bem mais disciplinada e separada do mundo do que a maioria das Igrejas atuais.

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Mas a paz de quarenta anos chegou ao seu fim, pegando desprevenidos a maioria dos Cristãos, quando em 303 d.C. o Imperador Diocleciano iniciou a perseguição mais devastadora que a Igreja jamais sofrera — as Igrejas foram queimadas em todo o Império e os escritos dos Apóstolos eram o combustível das fogueiras. Os legionários encarceravam os Cristãos que sofriam das torturas mais horríveis concebidas pelos romanos.

A perseguição continuou golpeando os Cristãos durante longos anos, mas o governo romano não conseguiu destruir a Igreja primitiva, e o Reino de Deus prevaleceu. Ao admitir a derrota, o imperador Diocleciano pediu aos Cristãos que orassem por ele! Depois, abandonou o seu cargo e suicidou-se.

Não foi uma batalha fácil, mas os primeiros Cristãos mostraram a satanás que ele não poderia derrotar o Reino de Deus por meio da força bruta, pois foi derrotado. Mas, será que foi mesmo? O que a Igreja primitiva não sabia era que satanás tinha mais de uma arma em seu arsenal, a astúcia — se não podia destruir o Reino de Deus se uniria ao mesmo e seduziria os Cristãos para que se unissem a ele.

As perseguições aos Cristãos só terminariam por volta de 311 d.C. Em 312, os Cristãos receberam boas notícias: Constantino, Licínio e Galilério, que lutavam pelo trono do Império Romano, assinaram e publicaram o "Edito da Tolerância", que enquadrava o Cristianismo no mesmo nível das outras religiões.

Ficou conhecido como o "Edito de Milão", e afirmava: "Decidimos conceder tanto aos Cristãos quanto a todos os homens livres, a liberdade de seguir a religião que escolherem, de maneira que qualquer divindade celestial que exista possa estar disposta a nos ajudar, e a todos os que vivem sob nosso governo".

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Outros decretos de Constantino e Licínio foram mais tolerantes — qualquer propriedade confiscada dos Cristãos durante a perseguição deveria ser devolvida a eles e todas as Igrejas queimadas ou destruídas seriam reconstruídas às custas do dinheiro público. Mas o Edito de Milão não converteu o Cristianismo em Igreja estatal, pois somente instituiu a liberdade de religião no Império Romano.

No entanto, pouco tempo depois, o imperador Constantino adotou uma política indubitavelmente pró-cristã no Império Romano — em poucos anos os Cristãos passaram de minoria perseguida para os favoritos da corte! Lamentavelmente este "favor" não veio sem pedir algo em troca.

Quando um governo decide ajudar o Cristianismo de alguma maneira, em geral esta "ajuda" vem acompanhada da participação do governo na Igreja. Constantino desejava sinceramente promover o Cristianismo através de todo o Império, mas ele era um homem não-regenerado, um homem do mundo.

Assim, a única maneira de promover o Cristianismo era através dos meios humanos. Constantino tinha a certeza de que as Igrejas dos primeiros Cristãos seriam insuficientes para alojar grandes multidões que viriam para os cultos, já que ele estava promovendo o Cristianismo.

Desta forma, proclamou um estatuto exigindo que os lugares de adoração-cristã, através de todo o Império, fossem ampliados consideravelmente. Constantino decidiu que as edificações não somente deveriam ser maiores, mas também mais suntuosas — os lugares de adoração a Deus não tinham que ser meras casas ou simples construções, quando os templos pagãos estavam todos decorados! 

Assim, Constantino decidiu que a religião verdadeira é que deveria ter as construções mais impressionantes e, seguindo este raciocínio humano, ordenou que as novas Igrejas fossem decoradas com colunas impressionantes e tetos abobadados.

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Ele sugeriu que as Igrejas tivessem fontes formosas e elegantes pisos de mármore. Constantino desejava que fosse difícil para um incrédulo passar em frente a uma Igreja Cristã sem sentir-se tentado a entrar para conhecer mais da sua beleza — devaneando e pensando nas outras formas de abençoar a Igreja primitiva — pois acreditava que se abençoasse a Igreja primitiva Deus abençoaria o Império. [sic]

Constantino observou que a maioria dos anciãos da Igreja Cristã viviam na pobreza, e pensou que isto não era conveniente para os representantes do Único Deus Verdadeiro. De maneira que começou a pagar salários aos bispos e anciãos à custa dos fundos do Estado. Inclusive chegou a ceder uma das suas residências, o Palácio Laterano, ao bispo de Roma e seus sucessores.

Constantino também isentou todos os religiosos e as Igrejas do pagamento de impostos! Levando-se em conta que os impostos romanos eram muito altos, e que aumentaram ainda mais durante o reinado de Constantino, estas isenções eram um benefício considerável. E o melhor foi que o Estado concedeu todos estas isenções sem exigir compromissos em troca — pelo menos era o que parecia.

Na África do Norte ocorreu uma ruptura na Igreja primitiva relacionada ao fato de que os líderes da Igreja tinham transigido durante a perseguição diocleciana — aqueles Cristãos que negaram os líderes que tinham transigido passaram a ser conhecidos como donatistas, enquanto que o restante eram denominados de Católicos. Em consequência desta divisão havia dois bispados, dois grupos de anciãos e dois corpos de crentes em Cartago, na África do Norte, os donatistas e Católicos.

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Assim, Católicos e donatistas afirmavam sua legitimidade em Cartago. No passado, esta polêmica seria um assunto puramente interno da Igreja, mas as benesses de Constantino criaram um problema de dimensões completamente novas, ou seja: quais religiosos receberiam o generoso salário oferecido pelo Estado; qual bispo ou grupo de presbíteros seriam isentos do pagamento de impostos; quem estaria a cargo da nova Igreja suntuosa construída com o dinheiro de Roma?

Depois de várias decisões emitidas pelo clero romano, Constantino decidiu em favor dos Católicos — a polêmica dos donatistas criou um precedente, a partir do qual o imperador romano sentiu-se no direito de convocar os concílios da Igreja e decidir sobre os assuntos pertinentes. O muro entre a Igreja e o Estado desmoronou-se em grande parte!

Agora os Cristãos estavam dispostos a misturar os assuntos do Reino de Deus com os assuntos deste mundo. Constantino nomeou Cristãos nos altos cargos do governo porque achava que Deus abençoaria seu mandato se aquele fosse formado por Cristãos. Uma vez que os Cristãos chegaram ao poder, se corromperam, caíram na luxuosidade, e abandonaram os Mandamentos de Deus.

Naquela altura, Constantino já considerava-se um bispo, similar aos que estavam fora da Igreja Católica — os bispos da Igreja eram responsáveis por pastorear os que estavam na Igreja e Constantino o responsável por ser pastor espiritual dos que estavam fora da Igreja!

Autonomeado bispo secular, Constantino promulgou um decreto que proibiu os servidores públicos do governo oferecerem sacrifícios ou praticar adivinhações. Finalmente, Constantino considerou-se "chefe e bispo universal" dos Cristãos e, assim, o resto é a História.


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