19 October 2012

A REFORMA PROTESTANTE - THE PROTESTANT REFORM


PROTESTANTISMO

A Igreja Católica desde o final da Idade Média perdia sua identidade. Gastos com luxos e objetivos materiais, estavam desviando a orientação do Catolicismo. Muitos elementos do clero estavam desrespeitando as normas religiosas, principalmente no que dizia respeito ao celibato. A maior parte dos sacerdotes desconhecia a própria doutrina Católica e demonstrava absoluta falta de preparo para as funções religiosas.

A ignorância e o mau comportamento do clero representavam sério problema, pois a Igreja dizia que os sacerdotes eram os intermediários entre os homens e Deus. Padres que mal sabiam rezar uma missa e executar os ritos sagrados, deixavam a população insatisfeita.

Para arrecadar dinheiro, o clero de Roma iludia a boa fé das pessoas através do comércio de relíquias sagradas. A Igreja também passou a vender indulgências, o perdão dos pecados. Mediante um bom pagamento, destinado a financiar obras da Igreja, os fiéis poderiam comprar a salvação e a entrada para o céu. Por outro lado, a Igreja condenava o lucro excessivo dos comerciantes e defendia o preço justo.

Essa moral econômica entrava em choque com a ganância da burguesia. Os interessados nos lucros do comércio sentiram a necessidade de uma nova ética religiosa, mais adequada à expansão comercial e transição do feudalismo para o capitalismo.

A burguesia estava cada vez mais inconformada, pois os clérigos Católicos estavam condenando os seus ganhos.Com a utilização da imprensa, aumentou o número de exemplares da Bíblia que podiam chegar às mãos dos estudiosos e da população. A divulgação dos textos sagrados e de outras obras religiosas, contribuíram para o surgimento de diferentes interpretações da doutrina Cristã.

Surgiu uma corrente religiosa adotando a visão de Santo Agostinho, afirmando que a salvação do homem era alcançada somente pela fé. Essa afirmação contrariava a posição da Igreja, baseada em Santo Tomás de Aquino, que dizia que a fé e as boas obras conduzem à salvação.

Com o fortalecimento das monarquias nacionais, os reis passaram a encarar a Igreja, que tinha sede no Vaticano e utilizava o latim, como uma entidade estrangeira que interferia em seus países. A Igreja, por seu lado, insistia em se apresentar como uma instituição universal que unia o mundo Cristão.

Mas esta noção de universalidade perdia força, pois crescia o sentimento nacionalista. Cada Estado, com a sua língua, seu povo e suas tradições, estava mais interessado em afirmar suas diferenças em relação a outros Estados do que as semelhanças. A reforma protestante correspondia a esses interesses nacionalistas.

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O luteranismo

Martinho Lutero, 1483-1546, nasceu em Elsieben na Alemanha. Era filho de um empreiteiro de minas que atingira certa prosperidade econômica. Em 1501, influenciado pelo pai, entrou na Universidade de Erfurt para estudar Direito, mas desistiu e escolheu a vida religiosa.

Em 1505, ingressou na Ordem dos Agostinianos, cumprindo uma promessa feita à Santa Ana. O monge alemão Martinho Lutero foi um dos primeiros a contestar fortemente os dogmas da Igreja Católica. Afixou na porta da Igreja de Wittenberg suas 95 teses, que criticavam vários tópicos da doutrina Católica.

Embora tenha sido contrário ao comércio, teve grande apoio dos reis e príncipes da época. Em suas teses, condenava o culto às imagens e a revogação do celibato. Lutero acreditava que o homem, corrompido em razão do pecado original, só poderia salvar-se pela fé exclusiva em Deus. A fé, e não as obras, seria o único instrumento de salvação, graças à misericórdia divina.

Iniciou-se então uma longa polêmica entre Lutero e as autoridades Católicas, que terminou com a decretação de sua excomunhão, em 1520. Para demonstrar firmeza e descaso diante da Igreja Católica, Lutero queimou em praça pública a bula papal "Exsurge Domine" que o condenava.

Com fome de poder e de riqueza, a nobreza e a alta burguesia estavam descontentes com a Igreja e o comando do imperador. Por outro lado, as classes sociais exploradas também culpavam a Igreja pela situação de miséria de que eram vítimas.

Liderados por Thomas Müntzer, os camponeses passaram a organizar uma série de revoltas contra os religiosos ricos e os nobres alemães, donos de grandes propriedades, o movimento anabatista. Os camponeses lutavam violentamente pela posse de terras, pela igualdade social e pelo fim da exploração. As classes dominantes uniram-se para acabar com a revolta camponesa.

Lutero apoiou os ricos e publicou um manifesto de ódio contra os camponeses: "Nada é mais terrível que um homem revoltado. Para conter os camponeses assassinos e ladrões, será preciso despedaçá-los e degolá-los. Matá-los como se faz com um cachorro louco". Na luta contra os poderosos os camponeses foram esmagados. Morreram mais de cem mil, e o líder Thomas Müntzer teve a cabeça cortada.

Em troca do apoio dado às classes ricas, Lutero conseguiu aliados entre a nobreza e a alta burguesia. Os poderosos viram nele um homem confiável e o auxiliaram a divulgar sua doutrina religiosa pelo norte da Alemanha, na Suécia, Dinamarca e Noruega.

Em 1529, protestaram contra as medidas tomadas pelo imperador Católico Carlos V contra Lutero, e as que impediam o Estado de adotar a sua própria religião. Foi a partir deste protesto que se espalhou a alcunha "protestante" para designar os Cristãos não-católicos.

Não sendo atendidos pelo imperador Carlos V, o grupo de príncipes protestantes formou em 1531, a "Liga de Schmalkalden", para lutar contra as forças Católicas ligadas ao império. Em 1555 o imperador aceitou a existência das igrejas luteranas, assinando com os protestantes a "Paz de Augsburgo". Era o reconhecimento oficial da separação religiosa no mundo Cristão.

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O calvinismo

João Calvino, 1509-1564, nasceu em Noyon na Franca. Estudou Teologia e Direito, e influenciado pelo pregador Guilherme Farel aderiu ao protestantismo. Na França, João Calvino começou a Reforma Luterana no ano de 1534. De acordo com Calvino a salvação da alma ocorria pelo trabalho justo e honesto.

Essa idéia atraiu muitos burgueses e banqueiros para o calvinismo. Muitos trabalhadores também viram nesta nova religião uma forma de ficar em paz com sua religiosidade. Calvino também defendeu a idéia da predestinação, a pessoa nasce com sua vida definida. Portanto nada que os homens pudessem fazer em vida poderia mudar-lhes o destino, previamente traçado.

A fé existente em algumas pessoas, podia ser interpretada como um sinal de que elas pertenciam ao grupo dos eleitos por Deus à salvação. Tais pessoas, os eleitos, sentiriam dentro do coração um irresistível desejo de combater o mal do mundo, simplesmente para a glória de Deus. A prosperidade econômica de algumas pessoas, sua riqueza material, era interpretada pelos seguidores de Calvino como um sinal da salvação predestinada.

Em 1534, quando as autoridades Católicas francesas caçavam os suspeitos de heresias, Calvino fugiu para a Suíça, onde o movimento reformador já se desenvolvia sob a liderança de Zwinglio. Em 1538 Calvino foi expulso da Suíça, devido a seus excessos de rigor e de autoritarismo.

Entretanto conseguiu retornar em 1541 e consolidou seu poder na cidade de Genebra, tornando-se o senhor absoluto do governo e da nova Igreja calvinista até o ano de 1561. Durante esse período, Genebra ficou submetida a um governo teocrático, que dirigia a sociedade misturando política e religião.

Entre os órgãos criados pelo governo calvinista destacava-se o consistório, encarregado de vigiar e punir os cidadãos. O calvinismo condenava práticas como o jogo, o culto a imagens de santos, a dança e o adultério. As penas impostas aos infratores eram geralmente duras e cruéis.

Muitos foram condenados à morte, entre eles, o médico espanhol Miguel de Servet, queimado vivo por negar o pecado original. Com base no calvinismo, criou-se um modelo do homem burguês que cultivava o trabalho, a religião, a poupança e o lucro máximo. Para esse homem calvinista, o sucesso econômico e a conquista de riquezas eram um sinal da predestinação divina.

Essa ideologia foi bem recebida pela burguesia comercial porque a ganância do lucro era justificada pela ética religiosa calvinista. Identificando-se com os valores da burguesia, o calvinismo espalhou-se por diversos países onde se expandia o capitalismo nascente, como a França, Inglaterra, Escócia e Holanda.

Henry VIII

O anglicanismo 

Henrique VIII, 1509-1547, rei da Inglaterra, tinha sido um fiel aliado do papa, recebendo o título de "Defensor da Fé". Entretanto, uma série de questões políticas e econômicas o levaram a romper com a Igreja Católica e a fundar uma igreja nacional na Inglaterra, a igreja anglicana.

A Igreja Católica exercia grande influencia política na Inglaterra. Era dona de grande parte das terras e monopolizava o comércio de relíquias sagradas. Para fortalecer o poder da monarquia inglesa, Henrique VIII teria que reduzir a influência do papa dentro da Inglaterra. Por outro lado, a nobreza capitalista inglesa queria apossar-se das terras e dos bens da Igreja Católica, para isso era preciso apoiar o rei.

Henrique VIII era casado com a princesa espanhola Catarina de Aragão, e teve com ela uma filha para sucedê-lo no trono. Entretanto o rei estava bastante descontente com seu casamento. Primeiro, devido à origem espanhola de sua esposa, já que a Espanha era inimiga da Inglaterra. Segundo, porque desejava um herdeiro masculino e pretendia casar-se com Ana Bolena.

Assim, em 1529, pediu ao papa que anulasse seu matrimônio com Catarina de Aragão, mas seu pedido foi recusado. Apesar disso, Henrique VIII conseguiu que o alto clero inglês e o parlamento reconhecessem a validade de suas intenções.

Em 1534, o parlamento inglês votou o "Ato de Supremacia", o qual outorgava Henrique VIII ser o chefe supremo da igreja da Inglaterra. Criava-se a nova igreja anglicana, mas nada foi modificado em termos de doutrina e culto em relação à Igreja Católica.

Os ingleses, por juramento, deveriam submeter-se ao rei da Inglaterra e não ao papa, caso contrário seriam excomungados e perseguidos pela justiça real. Houve pouca resistência, exceto a de Tomás Morus, que foi decapitado. Após a fundação da igreja anglicana, surgiram com os sucessores de Henrique VIII, uma série de lutas religiosas internas.

Primeiro, no governo de Eduardo VI, 1547-1553, quando tentou-se implantar o calvinismo no país. Depois, no governo de Maria Tudor, 1553-1558, filha de Catarina de Aragão, houve a contra-reforma Católica. Somente no reinado de Elizabeth I, 1558-1603, ocorreu a consolidação da igreja anglicana, com a mistura de elementos do Catolicismo e da doutrina protestante.



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