15 January 2013

INFANTICÍDIO FEMININO E PRECONCEITO - FEMALE INFANTICIDE AND PREJUDICE


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O infanticídio feminino é muito comum em países como a China, Índia, Coréia, Albânia, Argélia, Marrocos, Tunísia e em outras regiões do mundo. O uso frequente do procedimento está contribuindo para uma diferença crescente no número de meninos e meninas. O resultado do desejo de ter apenas filhos varões carateriza as sociedades patriarcais conservadoras.

Meninas são sufocadas ou jogadas nos córregos da China há séculos, particularmente por pessoas mais simples que acreditam dever aos ancestrais um primogênito. Meninas recém-nascidas são afogadas na própria água da bacia usada para fazer o parto e se escapam com vida são deixadas nas portas dos orfanatos, que o governo monta de forma improvisada nas grandes cidades.

As consequências são graves, porque na idade de casar não há um número suficiente de moças para todos os rapazes. Para amenizar essa situação, as famílias em boa condição financeira tentam importar, ilegalmente, mulheres de países vizinhos.

Se os homens não tiverem dinheiro suficiente para arrumar alguma moça chinesa ou para importar dos países vizinhos não podem formar família, o que se transforma numa tragédia nas tradições culturais chinesas fundadas sobre o confucionismo.

O número de moças em falta já estaria na casa de milhões e as causas são facilmente identificáveis. Elas foram vítimas de infanticídios, de abortos provocados pelos pais quando descobrem que o feto é feminino ou foram abandonadas nas encruzilhadas das ruas quando recém-nascidas.

Na China, no século XIX, propagou-se o assassinato de meninas recém-nascidas com o início da política de "uma família, um filho". Depois, com o surgimento das ecografias estas tradições voltaram na forma de abortos seletivos.

Em janeiro de 1980, quando a população chinesa já passava de um bilhão, o governo central lançou o "Documento nº 1" que tentava planificar os nascimentos com um conjuntos de medidas para limitar a um único filho por casal.

Havia uma série de vantagens para quem se limitasse a um único filho, e multas ou restrições civis para quem tivesse mais de um filho. Esse documento com suas promessas e ameaças fez decrescer a natalidade nas cidades e nas zonas rurais. Promovendo a política do filho único o governo ressuscitou os conceitos feudais sobre a inferioridade da mulher, e isso está acontecendo na China de hoje.

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Se um casal pode ter somente um filho consequentemente vai querer um filho homem, sendo esta uma exigência cultural ainda profundamente arraigada no povo chinês. Se por acaso o bebê é menina surge para o casal um gravíssimo problema ético e cultural, porque se ficar com ela não pode mais ter um filho homem.

A triste realidade é o assassinato ou o abandono da menina recém-nascida. Meninas na China são pessimamente consideradas porque "tem pouca serventia" na família. No campo a mulher casa e vai morar com os sogros e o marido, já o filho homem casa e traz a mulher para morar com ele aumentando a produtividade e a renda familiar.

Na China a preferência dos pais pelo filho de sexo masculino é uma tradição profundamente arraigada desde a idade feudal. No filho homem concentra-se a responsabilidade de manter os pais quando idosos, de possibilitar-lhes um enterro solene, de fazer as oferendas sobre os túmulos deles para as necessidades após morte conforme a tradição. Somente o filho homem é o único herdeiro dos bens da família.

A menina pelo contrário, é destinada a se casar pouco importando se gostar ou não, se for amada ou desrespeitada pelo marido. O divórcio ou separação está fora de discussão. Uma vez casada, pertencerá para sempre à família do marido exatamente como na sociedade feudal. Ela deve gerar filhos para o marido, possivelmente homens,  e fazer a sua vontade.

Isso condenou e ainda condena milhares de meninas recém nascidas ao abandono e à morte. Um grupo de repórteres foi para a China e visitou orfanatos onde meninas eram abandonadas pelo simples fato de terem nascido mulher. Igual destino não tiveram outras tantas, afogadas ao nascer, abandonadas ao relento em caixinhas de sapato e condenadas a ser devoradas por predadores.

Mas não pensem que aquelas destinadas aos orfanatos tiveram melhor destino. Durante a reportagem foi constatado que as crianças eram amarradas em bancos, sobre vasilhames para colher seus dejetos, condenadas a um mundo de imobilidade e sofrimento perpétuo (vídeo). Pior ainda, descobriram um "quarto da morte" onde as meninas doentes eram abandonadas sem água ou cuidados, para morrer de inanição.

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Mais de dois milhões de indianas morrem a cada ano por ferimentos infligidos por outros, e pelas complicações decorrentes dos abortos forçados. Esses ferimentos são um indicador da violência de gênero. O preconceito de gênero é um reflexo de uma sociedade de tradição patriarcal.

Outro dado estarrecedor é que 100 mil mulheres são mortas anualmente por queimaduras perpetradas por maridos ou familiares. No país são frequentes os casos de aborto de fetos femininos assim como os de assassinato de meninas recém-nascidas. A prática levou a um assombroso desequilíbrio numérico entre gêneros na Índia.

As meninas que sobrevivem enfrentam discriminação, preconceito, violência e negligência ao longo das suas vidas, sejam solteiras ou casadas. Várias são vítimas da violência relacionada ao pagamento dos dotes matrimoniais, e frequentemente os agressores queimam as mulheres.

O grande número de casos relacionados à rejeição das crianças do sexo feminino na Índia são explicados pelo costume do dote. No país, os pais têm que dar um bom dote ao marido, cerca de 1.000 dólares, para casarem as filhas.

Outro fato é que muitas vezes os filhos são a única fonte de segurança para os pais na velhice. Existem também casos onde a mulher casada não herda os bens, logo, os filhos homens representam o seguro com que contam as mães por ocasião de morte ou abandono do marido.

O regime de castas é caracterizado pela não-mobilidade social imposta pelas tradições, pela impossibilidade das pessoas mudarem ou alterarem a sua sorte social. Um indiano nascido filho de sapateiro deverá ser aprendiz de sapateiro, no máximo um artesão de gênero semelhante, ficando preso à ascendência social horizontal.

Atualmente a constituição federal indiana proíbe a discriminação imposta pelo regime de castas, mas seu estado laico nada faz para impedir a predominância dessas tradições machistas e preconceituosas.

Assim, a Índia é um espécime letal de sociedade patriarcal em que vigora um tipo de pátrio poder homicida, com o poder de vida e morte sobre os dependentes sejam filhos ou não.

Esse poder máximo impede que as mulheres se queixem ou se defendam adequadamente. Isto revela porque os estupros coletivos são rotineiros no país, um tipo de praga cultural, como se as mulheres fossem objetos descartáveis. Desta forma elas não denunciam as injustiças, especialmente se forem de castas inferiores, porque têm medo da corrupção do judiciário e da polícia.

2 comentários:

Anonymous said...

O sexo feminino sempre foi discriminado, e as mulheres fazem parte do grupo mais perseguido na sociedade atual. Enquanto que as minorias, consideradas perseguidas, cobram seus direitos e proteção dos governos, as mulheres sofrem um massacre sem paralelos no mundo.

Anonymous said...

Não vemos isto nos animais .Vemos esta ignorância nos seres humanos que se dizem ser racionais.Nunca vi um animal matar um filhote porque nasceu fêmea ou porque nasceu macho.Se Deus fez a mulher porque era necessário.Que graça teria um mundo só de homens?E que graça seria um mundo só de mulheres?A vida na terra é formada por gênero masculino e feminino.Isso não é diferente na especie humana.Mas se for para discriminar as mulheres ,que a china e índia e demais países que fiquem sem mulheres.Quero ver quem vai gerar a nova gerações de machos para continuar tendo gente nestes países.

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