19 dezembro 2012

O APOLOGISTA DO CRISTIANISMO HÍBRIDO - THE HYBRID CHRISTIAN APOLOGIST



St_Augustine

O Império Romano estava desmoronando. A Igreja estava se afundando no mundo, em lugar de alvoroçar o mundo. Tanto que o Reino de Deus precisava urgentemente de um Paulo ou de um João Batista que, de maneira audaz, fizesse frente e desafiasse todo o "cristianismo híbrido constantiniano".

No entanto, o que a Igreja conseguiu foi o principal defensor do híbrido que já existiu. Seu nome era Agostinho. Ele foi um homem muito característico de sua época, que aceitou totalmente o híbrido constantiniano e as mudanças que este trouxera à Igreja primitiva.

Ele foi um apologista muito capaz em favor do híbrido e, infelizmente, não houve nenhum porta-voz talentoso a favor do Reino de Deus. Portanto, naturalmente os argumentos de Agostinho prevaleceram. Mas, Agostinho fez bem mais do que só defender o híbrido.

Ele também procurou defender o Cristianismo ortodoxo contra as afirmações dos hereges, tais como os gnósticos. Seu método consistia em escutar a posição de seu adversário e depois adotar exatamente a posição contrária, para contra atacá-la.

O gnosticismo esteve entre as primeiras heresias que o Cristianismo primitivo enfrentou. O gnosticismo ensinava que o mundo material era mau, pois tinha sido criado por uma divindade diferente do Deus do Novo Testamento. Para apoiar sua posição, os gnósticos destacavam o fato de que os ensinamentos de Jesus eram diferentes dos de Moisés.

Por exemplo, o Deus do Antigo Testamento tinha mandado os israelitas irem à guerra, mas Jesus dizia a seus discípulos que amassem a seus inimigos. Logicamente, muitos gnósticos aceitavam os ensinamentos do Reino de Jesus, mas recusavam todo o Antigo Testamento por considerarem ser a obra de "outro deus". Eles até negavam que o Filho de Deus tinha sido feito homem.

St_Augustine

Os primeiros escritores Cristãos da Igreja primitiva, tais como Irineu e Tertuliano, já tinham defendido, de forma muito capaz, o Cristianismo primitivo histórico diante dos ensinamentos do gnosticismo. Estes primeiros defensores da fé argumentaram que não havia nenhum Deus novo entre o Antigo e o Novo Testamentos, mas apenas uma progressão da revelação de um para o outro.

A lei de Moisés fora uma guia que preparou os israelitas para Jesus Cristo. Os ensinamentos de Jesus eram a meta final para a qual a lei estava preparando os israelitas. No entanto, o híbrido constantiniano não concordava com estes argumentos.

O "cristianismo híbrido" era basicamente uma combinação da teologia do Novo Testamento com a moralidade e o estilo de vida do Antigo Testamento. Reconhecer que o Novo Testamento introduzia novas e maiores leis morais que o Antigo Testamento significava reconhecer que o híbrido estava equivocado e tal ideia não servia.

Por esta razão, Agostinho respondeu aos gnósticos, conhecidos em seu tempo como maniqueus, negando sua premissa fundamental. Ele propôs que os ensinamentos de Jesus não se diferenciavam dos do Antigo Testamento. Ele dizia que matar era tão lícito sob o Novo Testamento como o foi sob o Antigo Testamento.

Agostinho escreveu: "O que há de mau com a guerra? Com a morte de alguns, que de todas as formas logo morrerão para que outros possam viver em submissão pacífica? Isto é uma mera antipatia covarde e não um sentimento religioso.

"Os verdadeiros males da guerra são o amor à violência, a crueldade vingativa, a inimizade violenta e implacável, a resistência descontrolada, a ambição do poder e assim por diante. Em geral, quando é preciso força para se impor o castigo, é com o propósito de castigar estas coisas".

"É em obediência a Deus ou a alguma autoridade legal que os homens bons fazem as guerras. Pois eles se encontram numa posição tal com relação ao comportamento dos assuntos humanos, que uma conduta correta lhes exige agir ou fazer com que os outros ajam de determinada maneira".

St_Augustine

Sim, mas Jesus não disse que amássemos a nossos inimigos e que não resistíssemos ao que é mau? Agostinho também teve uma resposta para isso:

"Poderíamos supor que Deus não autoriza a guerra porque nos últimos tempos o Senhor Jesus Cristo disse; Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal, mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra. No entanto, a resposta é que o que se exige aqui não é uma ação corporal, mas sim uma disposição interior", acrescenta Agostinho.

Em outras palavras, é correto matar contanto que você ame a pessoa a quem mata! Agostinho continuou: "O Senhor exige paciência quando diz; ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra. Isto pode ser a disposição interior da pessoa, ainda que não se manifeste numa ação corporal ou por meio de palavras.

Pois quando o apóstolo foi golpeado, ele orou que Deus perdoasse os seus agressores no mundo vindouro, mas não pediu que a injustiça ficasse impune naquele momento. Interiormente, Ele manteve um sentimento de amor, enquanto que exteriormente desejou que o homem fosse castigado como um exemplo".

Esse tipo de lógica pode ganhar um argumento de palavras, mas não é "jogar limpo" com Jesus Cristo. Segundo Agostinho, podemos fazer os mesmos atos brutais que o mundo adota. Nossas ações podem ser tão violentas como as dos israelitas sob o Antigo Testamento, desde que nossos sentimentos interiores não sejam outra coisa senão bondade, paz e amor.

O que Agostinho não compreendia é que no Reino de Cristo os meios são sempre tão importantes como o fim. Os verdadeiros Cristãos não fazem uso de meios maus ou violentos numa tentativa de obter resultados piedosos. A "maneira" como fazemos algo é igualmente importante ao "que" fazemos.



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